Uma entidade sindical dirigida por José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está no centro de uma apuração da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União por supostas fraudes envolvendo descontos em aposentadorias e pensões do INSS.
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem Frei Chico como vice-presidente, registrou um salto expressivo na arrecadação por meio de débitos diretos na folha de pagamento de beneficiários do INSS. Segundo documentos da PF, o montante arrecadado pela entidade saltou de R$ 17,5 milhões em 2019 para R$ 90,5 milhões em 2023 — um aumento de 414% no período. O dado representa o maior volume captado desde o início da série analisada pelas autoridades, e apenas nos primeiros três meses de 2024, o sindicato já havia somado mais R$ 26 milhões em contribuições.
O crescimento chama ainda mais atenção diante da investigação em curso, que apura se os descontos foram realizados de maneira autorizada e transparente. O Sindnapi é uma das 11 entidades citadas em mandados judiciais da operação policial que mira possíveis irregularidades em deduções feitas diretamente dos benefícios previdenciários.
Dados do INSS apontam que, em janeiro de 2025, o sindicato mantinha mais de 302 mil filiados. Em seu site oficial, o Sindnapi alega oferecer uma gama de serviços aos associados, que vão desde cooperativas de crédito até convênios com clínicas, laboratórios e pacotes turísticos.
Apesar da repercussão e da gravidade dos fatos investigados, a entidade optou pelo silêncio na terça-feira (29), quando procurada para comentar o caso. Em nota divulgada anteriormente, logo após a deflagração da operação, o sindicato se manifestou apoiando as investigações. Afirmou que auditorias rigorosas contribuem para “identificar possíveis irregularidades, corrigir falhas e evitar que injustiças continuem acontecendo”.
O Sindnapi também declarou que sua atuação sempre esteve pautada na defesa dos direitos dos aposentados, e que considera essencial a confiança no sistema previdenciário brasileiro. No entanto, o volume expressivo de recursos arrecadados por meio de um sistema que agora está sob suspeita levanta dúvidas sobre a transparência e o controle dessas deduções — ainda mais quando envolvem instituições com vínculos políticos tão próximos do poder central.