Em uma entrevista reveladora ao G1, a ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei, Virna Dias, abriu o coração ao revisitar momentos marcantes – e também dolorosos – da sua trajetória nas quadras. Aos 53 anos, a potiguar não fugiu de temas sensíveis, como a traumática derrota para a Rússia nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, e fez duras críticas ao julgamento que a então jovem Mari sofreu após a eliminação.
— “Foi um crime o que fizeram com ela. Uma garota crucificada por dois erros. O brasileiro, quando você ganha, te exalta. Quando perde, te destrói”, desabafou Virna, destacando que, se aquele episódio tivesse ocorrido na era das redes sociais, as consequências psicológicas para a ponteira seriam ainda mais devastadoras.
Na semifinal, o Brasil chegou a ter cinco chances de fechar o jogo, com placar de 24 a 19 no quarto set, mas acabou cedendo a virada para a Rússia, que venceu no tie-break por 3 sets a 2. O trauma, segundo ela, foi tão profundo que impactou o desempenho da equipe na disputa pelo bronze, quando perderam para Cuba.
Vida além das quadras
Virna também relembrou episódios curiosos e inusitados da carreira, como o dia em que ficou presa em Macau, na China, após um terremoto, enfrentando refeições nada convencionais, incluindo cobra, gafanhoto e até macaco. Também contou como ajudava atletas cubanas com itens de higiene, mesmo sendo rivais históricas – e às vezes protagonistas de brigas dentro de quadra.
Mãe aos 18 anos, a ex-atleta compartilhou os desafios de conciliar a maternidade com o alto rendimento no esporte, além de relembrar momentos descontraídos nas vilas olímpicas, como quando tirou uma selfie com Michael Jordan e chegou até a presentear um ladrão com uma camisa autografada.
Desejo rubro-negroEmbora tenha descartado seguir carreira como treinadora após a aposentadoria para priorizar a família, Virna admite que existe uma exceção capaz de fazê-la reconsiderar essa decisão.
— “Se o Flamengo me chamasse para ser técnica, eu pensaria. A história mudaria”, revelou, declarando seu amor pelo clube e relembrando também a rivalidade que viveu nas quadras contra o Vasco.
Trajetória vencedora
Com uma carreira marcada por grandes conquistas, Virna soma dois bronzes olímpicos (Atlanta 1996 e Sydney 2000), quatro títulos do Grand Prix, além de ter sido eleita a melhor jogadora do mundo em 1999. Também conquistou prata no Mundial de 1994 e o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999.
Fonte: G1
Na foto Virna chora após a derrota do Brasil para a Rússia — Foto: Getty Images